Quinta, 20 de setembro de 2018
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Geral

05/09/2018 ás 10h17

Josoel Silvestre

Redentora / RS

Município do Norte do RS pede para receber imigrantes venezuelanos
Com 10 mil habitantes, Chapada deve receber cerca de 50 imigrantes, possivelmente este mês. Prefeito diz que população concorda, e que há postos de emprego e vagas em escolas. "Se estivesse bom lá [na Venezuela], eles teriam ficado", afirma.
Município do Norte do RS pede para receber imigrantes venezuelanos
Prédio de escola rural no interior do município receberá os cerca de 50 imigrantes que serão trazidos (Foto: Divulgação/Prefeitura de Chapada )

A Prefeitura de Chapada, no Norte do Rio Grande do Sul, pediu para receber imigrantes venezuelanos. Segundo o prefeito, Carlos Catto, está prevista a chegada de cerca de 50 pessoas no próximo dia 25, transportados pela Força Aérea Brasileira (FAB) e pelo Exército. A Casa Civil do governo federal confirma a informação, mas salienta que a data pode ser modificada de acordo com a agenda da FAB.


Ainda de acordo com a pasta, o pequeno município deve ser o terceiro a receber os imigrantes no Rio Grande do Sul encaminhados pelo governo federal, depois de Esteio e Canoas, que se preparam para a chegada nos próximos dias. São 221 em Esteio, e 425, em Canoas. Outros 14 venezuelanos foram por conta própria para a Serra do RS. Chapada, porém, foi o primeiro município que se ofereceu, segundo a Casa Civil.


'Os futuros chapadenses'


Os imigrantes se juntarão aos 10 mil habitantes da cidade, quase 330 km distante de Porto Alegre. "São os futuros chapadenses", afirma Catto. "Decidimos isso com a [Secretaria de] Assistência Social, Educação e as outras pastas. Chegamos à conclusão de que devemos fazer parte da ação". Ele considera acolhimento uma questão humanitária, e diz que o município está preparado para receber essas pessoas.


"Grande parte da nossa cidade é descendente da imigração italiana, portuguesa, alemã. São pessoas que saíram da Europa em uma situação não muito legal, e todos se deram bem aqui", avalia Catto.


O município informou ao Ministério do Desenvolvimento Social que deseja receber famílias, com crianças inclusive. "Pedimos preferência para as maiores de 5 anos, mas não tem problema se não for", explica o prefeito. As equipes da prefeitura estão trabalhando na preparação do prédio que abrigava uma escola rural, que está ociosa, no interior do município, onde os imigrantes serão acomodados.


No local, passa um ônibus, fretado pela prefeitura, para levar trabalhadores da área rural até a cidade. Os venezuelanos poderão aproveitar esse transporte para ir e voltar do trabalho. "Temos vagas na construção civil, nas propriedades agrícolas e nas indústrias de sapato e laticínios", explica o prefeito. Os imigrantes que tenham experiência ou perfil para o ensino poderão ser chamados para dar oficinas de espanhol nas escolas do município, adianta Catto.


Para as crianças, o prefeito garante que há vagas, tanto no ensino infantil quanto no básico. "Estamos apostando nossas fichas que vai dar tudo certo", diz. E ele aposta também que as cenas de agressões aos imigrantes em Pacaraima, Roraima, não se repetirão em Chapada. "Posso dizer que 90% da população aprova a vinda deles para cá", avalia o prefeito.


A prefeitura solicitou também a verba destinada pelo Ministério de Desenvolvimento Social para municípios que recebem os imigrantes. Carlos Catto comenta que uma conta já foi aberta. Contatada pela reportagem, a pasta ainda não deu retorno sobre essa informação.


Para o prefeito, a cidade pode servir como uma nova perspectiva para os imigrantes, após a dura realidade do país com recordes de inflação, desemprego e crise social. "A gente quer que eles se enraizem, fiquem aqui, que não seja só uma aventura", explica o prefeito. "Se tivesse bom lá [na Venezuela], eles teriam ficado", conclui.

FONTE: G1RS

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