Terça, 14 de agosto de 2018
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Geral

10/05/2018 ás 21h10 - atualizada em 10/05/2018 ás 21h19

Josoel Silvestre

Redentora / RS

Padre suspeito de ter agredido ex-namorada chora ao ser afastado de missas em Caxias do Sul
Religioso seguirá fazendo shows e gravando programas de TV
Padre suspeito de ter agredido ex-namorada chora ao ser afastado de missas em Caxias do Sul
Ezequiel Dal Pozzo já lançou CDs e DVD, com mais de 100 mil cópias vendidas. Foto: Jonas Ramos / Agencia RBS

Na noite da última terça-feira, antes de iniciar a tradicional celebração na igreja da Paróquia Santo Antônio, no bairro Cinquentenário, em Caxias do Sul, o padre cantor Ezequiel Dal Pozzo, 38 anos, chorou. O motivo era a carta da diocese da cidade, que comunicava o afastamento dele como celebrante de missas em 32 municípios da Serra – decisão tomada diante das denúncias que colocam o sacerdote como agressor de uma suposta ex-namorada.


A informação do afastamento veio a público um dia depois de o bispo dom Alessandro Ruffinoni ter pedido perdão aos fiéis pelo envolvimento de Dal Pozzo em um caso de violência doméstica.


Mesmo abalado com a decisão do clero, o padre prosseguiu com a celebração no Cinquentenário e seguirá em frente com a evangelização por meio da música.


Esses relatos são de pessoas próximas a Dal Pozzo, que acompanham de perto a polêmica em que se transformou a vida pessoal do religioso, que já vendeu mais de 100 mil cópias de seis CDs e um DVD, lançados desde 2009. Desde que foi indiciado como suspeito de violência doméstica pela Delegacia da Mulher, o padre procura se manter cercado de amigos e fiéis mais próximos no intuito de se preservar.


O religioso evita falar com a imprensa. Por meio de assessores, manda avisar que tem receio de ser mal interpretado e evitará, por enquanto, manifestações sobre as denúncias reveladas pela polícia na semana passada.


A mulher de 41 anos, que teria sido agredida por Dal Pozzo em duas ocasiões no ano passado, foi procurada diversas vezes pela reportagem, mas não retorna os recados.


Apesar da determinação de que Dal Pozzo não realize mais missas nas igrejas da Diocese de Caxias do Sul, isso não significa um afastamento do grande público. A agenda de shows dele está mantida para a próxima semana em Santa Catarina, por exemplo.


O trabalho de evangelização através da música não é controlado com rigor pela Igreja Católica, embora Dal Pozzo use a fé católica como inspiração e chamariz para atrair público em várias cidades do Brasil – ele já se apresentou em programas de TV em rede nacional.


Em Caxias do Sul, a celebração que deve ser última do padre pelos próximos meses dentro de uma igreja da Serra foi transmitida ao vivo pela Rádio Miriam, de Farroupilha. A cerimônia no bairro Cinquentenário, na noite de terça-feira, reuniu mais de 400 pessoas – o público é o mesmo de missas anteriores no mesmo templo.


Durante a celebração, a assessoria do religioso afirma ter contabilizado 6,5 mil comentários no Facebook.


— Não encontramos nenhum comentário negativo — ressalta Paulo Sérgio Mognon, que atua como assessor na Associação Despertar para o Amor, grupo de evangelização liderado por Dal Pozzo.


Mognon é um dos integrantes da associação que está representando o padre nas conversas com a imprensa. Segundo ele, Dal Pozzo está num período de reflexão e tem muito apoio dos fiéis. Atualmente, ele reside no Seminário Diocesano Nossa Senhora Aparecida, perto dos Pavilhões da Festa da Uva, no bairro Nossa Senhora da Saúde, base da associação.


— O padre seguirá com os retiros, com os grupos de oração e com as apresentações ao vivo. Temporariamente, ele deixará de fazer as missas porque não quer tensionar os fiéis e quem tem dúvidas (sobre o envolvimento dele no caso de violência doméstica) — diz Mognon.


Na sexta-feira, Dal Pozzo seguirá para Curitiba (PR), onde gravará um programa transmitido pela TV Nazaré (de Belém, no Pará) e pela TV Evangelizar (de Curitiba) – o sinal das emissoras é captado por antena parabólica.


— Quando for o momento certo, o padre deve falar. Juridicamente, ele está tranquilo, pois sabe que não cometeu as agressões — ressalta Mognon.


Missas x shows


Embora o bispo dom Alessandro Ruffinoni evite comentar em detalhes as denúncias sobre Dal Pozzo, sabe-se que as missas suspensas em Caxias do Sul não tinham relação direta com as duas paróquias onde ocorriam. No caso, as igrejas dos bairros Cruzeiro e Cinquentenário eram apenas cedidas para as apresentações à parte do religioso, pois os párocos locais têm outra programação em horários diferentes.


As celebrações na igreja, segundo religiosos locais, eram uma exigência da Diocese para que o Dal Pozzo continuasse cumprindo um dos juramentos que todo padre faz durante a ordenação sacerdotal. Ou seja, era uma forma de ele seguir atuando como cantor e compositor sem perder os laços com o altar.

FONTE: Adriano Duarte/O Pioneiro

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