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Ataque com 'ambulância-bomba' deixa mais de 90 mortos e 150 feridos em Cabul
Talibã reivindicou a ação dos terroristas, que usaram a ambulância para se aproximar de área onde estão prédios públicos e representações diplomáticas.
Jooh Silvestre Redentora - RS
Postada em 27/01/2018 ás 13h59 - atualizada em 27/01/2018 ás 20h42
Ataque com 'ambulância-bomba' deixa mais de 90 mortos e 150 feridos em Cabul

Homem ferido é resgatado após explosão de ambulância em Cabul, neste sábado (27) (Foto: Mohammad Ismail/ Reuters)

Ao menos 95 pessoas morreram e 158 ficaram feridas no atentado com uma ambulância-bomba neste sábado em Cabul, de acordo com um balanço atualizado divulgado pelo governo afegão. "O último balanço que temos é de 95 mortos e 158 feridos. Pode aumentar porque alguns feridos hospitalizados estão em condição crítica", advertiu Baryalai Hilali, diretor de comunicação do governo.


Este é um dos atentados mais violentos dos últimos anos em Cabul. "O suicida usou uma ambulância para superar os postos de controle. No primeiro controle disse que transportava um paciente para o hospital Jamuriat", explicou à AFP Nasrat Rahimi, porta-voz do ministério do Interior. "No segundo posto de controle, foi identificado e detonou os explosivos", completou.


O atentado foi reivindicado pelo porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, no WhatsApp: "Um mártir explodiu seu carro-bomba perto do ministério do Interior, onde estavam muitas forças policiais". A explosão foi tão potente que sacudiu a capital. As janelas do escritório da AFP, que fica a quase dois quilômetros, tremeram; os vidros da "Chicken Street", a rua dos antiquários, a centenas de metros do local do atentado, quebraram, uma cena observada em vários bairros próximos.


Um fotógrafo da AFP observou muitos corpos ensanguentados, "mortos e feridos", e moradores que tentavam ajudar as vítimas. Muitos feridos, incluindo crianças, foram levados para o hospital Jamuriat, que está sobrecarregado. "Vi poças de sangue", afirmou uma testemunha, que desmaiou com a potência da explosão.


"É um massacre", escreveu no Twitter Dejan Panic, coordenador da ONG italiana Emergency, especializada em cirurgia de guerra e que contabilizou pelo menos "sete mortos e 70 feridos" transportados para seu hospital. Os vidros das janelas quebraram e foram projetados a centenas de metros. Um edifício próximo ao hospital Jamuriat foi afetado e ameaçava desabar.


O atentado aconteceu diante de um dos postos de controle que protegem a entrada de uma avenida que dá acesso a várias instituições: o ministério do Interior, a sede da polícia, a delegação da União Europeia e o centro de ensino médio Malalai. O Alto Conselho da Paz, responsável pelas negociações com os talibãs (atualmente bloqueadas), acredita que era o principal alvo do ataque. Os membros da delegação europeia foram levados para uma sala blindada preparada para este tipo de situação. O medo de um atentado executado com ambulância era real.


Uma correspondente da AFP que passou pela rua uma hora antes da explosão observou como todas as ambulâncias que seguiam para o hospital Jamuriat eram inspecionadas, com os motoristas do lado de fora do veículo. O nível de alerta é elevado em Cabul, sobretudo no centro e no bairro das embaixadas e das instituições estrangeiras.

FONTE: AFP
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