Terça, 15 de janeiro de 2019
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Geral

11/01/2019 ás 10h41 - atualizada em 11/01/2019 ás 11h35

Josoel Silvestre

Redentora / RS

Menina de cinco anos escapou de chacina ao ser escondida em máquina de lavar
Velório das quatro vítimas, todas da mesma família, ocorreu na tarde desta quinta-feira (10) no salão paroquial Santa Terezinha, no município da Região Metropolitana
Menina de cinco anos escapou de chacina ao ser escondida em máquina de lavar
Comoção no velório das quatro vítimas de chacina. Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

A chacina que fez quatro vítimas em Triunfo, na Região Metropolitana, na manhã de quarta-feira (9) poderia ter sido ainda mais trágica. Uma menina de cinco anos estava na casa quando o autor das facadas chegou. Às pressas, foi escondida pelos tios dentro de uma máquina de lavar. Depois de sair ilesa, viu os parentes sem vida. Para evitar um trauma maior, o pai dela, o pedreiro Tarcísio Ribeiro da Silva, 34 anos, preferiu não levá-la ao velório da mãe, da avó e dos tios. Deixou-a com parentes em Guaíba.  


A despedida, que ocorreu no salão paroquial Santa Terezinha, em Triunfo, nesta quinta-feira (10), foi marcada por comoção e incredulidade. Ainda com dificuldades de acreditar na tragédia, viam, um a um, os caixões chegarem no local. 


As vítimas — todas da mesma família — foram mortas a facadas. O principal suspeito de ter cometido o crime é um vizinho de 45 anos. Na chacina, Silva perdeu a mulher Valéria Pereira Borges, 28 anos, com quem era casado há 11 anos. A mãe dela, Mirian Ribeiro Pereira, 52 anos, e dois irmãos, Valquiria Pereira Borges, 30, e João Paulo Pereira Borges, 21, também foram atingidos pelos golpes. 


Um dos filhos de Mirian, Vitor Manoel Pereira, chegou à casa minutos após a chacina e deparou-se com a cena.  Silva, cunhado dele, estava trabalhando em uma obra em Arroio do Sal, no Litoral Norte, quando recebeu ligação de um familiar, que contou, sem detalhes, o que aconteceu. Era perto do meio-dia quando atendeu ao telefonema. No entanto, só soube da chacina ao chegar na residência, por volta das 15h. Os corpos ainda estavam no local.


Em meio a tragédia, descobriu que uma das vítimas ajudou a conter o autor das facadas, poupando a vida da filha de cinco anos. O cunhado dele, João Paulo, segurou a porta de um cômodo ao lado do irmão Luís Gabriel Pereira Borges, 19 anos. As facadas conseguiram atravessar o revestimento e acertaram o jovem de 21 anos, que morreu no local. 


Homem avisou que iria "fazer limpa" na rua


Antes de esfaquear a família, o vizinho teria provocado. Segundo Luís Gabriel, o homem parou em frente à casa e abaixou as calças, mostrando os órgãos sexuais. Havia crianças na residência e o gesto do homem irritou os moradores, que passaram a discutir com ele. Momentos depois, o suspeito teria voltado para sua casa. Em seguida, teria saído com uma faca de açougue. As mulheres foram as primeiras a serem esfaqueadas, ainda do lado de fora da moradia. Luís Gabriel e João Paulo correram para tirar as duas crianças do pátio e trancaram a porta.


— Quando eu virei as costas ele estava esfaqueando todo mundo — conta Luís Gabriel.


O homem só parou quando outros vizinhos começaram a sair para a rua, assustados com a gritaria. Ao passar por uma mulher de 48 anos, que foi socorrer a família, apontou a faca e disse que ela seria a próxima vítima. Com medo de o homem voltar, ela, que pediu para não ser identificada, trancou-se em casa. O marido dela nem foi ao trabalho nesta quinta-feira. Há um ano, eles registraram ocorrência contra o vizinho devido a ameaças feitas por ele. Religioso, o suspeito costumava  fazer a pregação com som alto, colocando as caixas de som na janela de casa. A cena se repetia todo o sábado.


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— Ele não podia ver criança na rua ou carro estacionado na frente da casa dele que já começava a discutir — contou.


Segundo a vizinha, dias antes de cometer a chacina, ele ameaçava "fazer limpa" na rua, matando desafetos. A mulher conta que o suposto autor do crime teria forçado a família a  sair de casa e  ir para residência de parentes, em Cachoeirinha, também na Região Metropolitana. 


Para o delegado Lúcio Melo, responsável pela investigação, a retirada de familiares do local indica que a possibilidade do crime ter sido premeditado. No final da manhã desta quinta, a polícia pediu a prisão do homem, mas ainda não há retorno da Justiça.

FONTE: Gaúcha ZH

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